Sinistralidade em planos de saúde empresariais: guia completo 2026

Resumo executivo
- A sinistralidade média do setor fechou em 82,2% no Q4/2024 (ANS, Nota Técnica Q4/2024), o maior patamar desde 2020. Para empresas com carteiras acima de 80%, o reajuste médio em 2025 foi de 18% a 24%.
- O VCMH (Variação dos Custos Médico-Hospitalares) está em 15,3% em 2026 (IESS, Boletim VCMH 2026), mais de 3 vezes o IPCA. Sem gestão ativa, o custo do plano cresce acima da inflação todos os anos.
- Os 5% de colaboradores com maior utilização concentram 50% do custo do plano (regra 5/50, IESS). Identificar e gerenciar esse grupo é a alavanca de maior impacto na sinistralidade.
- A Axenya reduziu a sinistralidade de clientes em até 48% em 12 meses, com correlação de R=0,75 entre tempo de acompanhamento e melhora de resultado clínico.
- Este guia cobre todos os aspectos da sinistralidade: o que é, como calcular, causas, como reduzir, VCMH, ROI da gestão, benchmarks por setor e ferramentas.
O que é sinistralidade
Sinistralidade é a relação entre o valor pago em sinistros (consultas, exames, internações, procedimentos) e o prêmio arrecadado pelo plano de saúde em um determinado período. É o indicador central da saúde financeira de uma carteira de plano de saúde empresarial.
A fórmula básica é:
Sinistralidade = (Valor de sinistros pagos / Prêmio arrecadado) × 100
Uma sinistralidade de 80% significa que, para cada R$ 100 de prêmio pago pela empresa, R$ 80 foram gastos em assistência médica. Os R$ 20 restantes cobrem os custos administrativos da operadora e sua margem.
A ANS registrou sinistralidade média de 82,2% no Q4/2024, o maior patamar desde 2020. Esse número indica que o setor está operando próximo ao limite de equilíbrio técnico, o que explica os reajustes acima da inflação que as empresas têm enfrentado.
Para entender em profundidade o conceito e suas variações, veja o artigo completo sobre o que é sinistralidade e como calcular. Para entender a diferença entre sinistralidade total e sinistralidade core, veja sinistralidade core vs outliers.
Como calcular sinistralidade
O cálculo da sinistralidade parece simples, mas tem nuances importantes que afetam a interpretação do resultado:
- Sinistralidade bruta: total de sinistros dividido pelo prêmio. Inclui todos os eventos, inclusive outliers (casos de alto custo isolados).
- Sinistralidade core: exclui outliers (eventos acima de um limite definido, geralmente R$ 50.000 a R$ 100.000). Representa o custo recorrente da carteira, mais relevante para projeções.
- Sinistralidade por categoria: decomposta por tipo de evento (consultas, exames, internações, urgência). Permite identificar onde o custo está concentrado.
- Sinistralidade por faixa etária: colaboradores acima de 50 anos têm sinistralidade 3 a 5 vezes maior que colaboradores de 20 a 30 anos (ANS, 2024).
Para o cálculo detalhado com fórmulas e exemplos práticos, veja o artigo sobre como calcular sinistralidade: fórmula e exemplos.
| Faixa de sinistralidade | Classificação | Reajuste esperado |
|---|---|---|
| Abaixo de 65% | Excelente | Próximo ao VCMH (15,3%) |
| 65% a 75% | Saudável | VCMH + 2% a 5% |
| 75% a 85% | Atenção | VCMH + 5% a 10% |
| 85% a 100% | Crítico | VCMH + 10% a 20% |
| Acima de 100% | Desequilíbrio técnico | 30% a 50%+ |
Causas da sinistralidade alta
A sinistralidade alta raramente tem uma causa única. As causas mais comuns, identificadas pela Axenya em diagnósticos de carteiras, incluem:
Concentração de risco: a regra 5/50
Em carteiras típicas, os 5% de colaboradores com maior utilização concentram 50% do custo total do plano. Esses colaboradores têm condições crônicas não gerenciadas (diabetes, hipertensão, doenças cardíacas) que geram uso intensivo e de alto custo.
Para entender como identificar e gerenciar esse grupo, veja o artigo sobre a regra 5/50 e como gerenciar os colaboradores de alto custo.
Internações evitáveis
Internações representam 40% a 60% do custo total de carteiras com sinistralidade acima de 80% (ANS, 2024). Uma parcela significativa dessas internações é evitável com gestão adequada de crônicos e acesso a cuidado ambulatorial de qualidade.
Para entender como reduzir internações, veja o artigo sobre internações: 48% do custo do plano e como reduzir.
Cobranças indevidas na fatura
Auditorias de faturas de planos de saúde identificam cobranças indevidas em 8% a 15% do valor total (IESS, 2024). Procedimentos não realizados, duplicidades e glosas não aplicadas são as principais fontes de cobrança indevida.
Para entender como auditar a fatura, veja o artigo sobre como auditar a fatura do plano de saúde empresarial.
Perfil demográfico envelhecido
Carteiras com concentração de colaboradores acima de 50 anos têm sinistralidade estruturalmente mais alta. A ANS (2024) registra que o custo per capita de um beneficiário de 55 a 59 anos é 4,2 vezes maior que o de um beneficiário de 25 a 29 anos.
Sinistralidade 78%: o que esconde
Uma sinistralidade de 78% pode esconder problemas muito diferentes. Para entender o que está por trás do número, veja o artigo sobre sinistralidade 78%: os 5 problemas que o número esconde.
Como reduzir sinistralidade
Reduzir sinistralidade sem cortar cobertura é possível com as estratégias certas. As alavancas de maior impacto, em ordem de eficácia:
Gestão de crônicos
Identificar os colaboradores com condições crônicas de maior custo (diabetes, hipertensão, doenças cardíacas) e implementar acompanhamento clínico estruturado é a alavanca de maior impacto. A Axenya reduziu a sinistralidade de hipertensos e diabéticos em 64% com acompanhamento baseado em VBHC.
Para entender como implementar gestão de crônicos, veja o artigo sobre gestão de crônicos no plano empresarial: como reduzir custo.
Plano de ação em 90 dias
Para carteiras com sinistralidade acima de 80%, um plano de ação estruturado pode gerar resultados em 90 dias. Para entender o framework completo, veja o artigo sobre como reduzir sinistralidade em 90 dias sem cortar benefícios.
Auditoria de fatura
A auditoria mensal da fatura da operadora identifica cobranças indevidas e garante que as glosas sejam aplicadas corretamente. Para o checklist completo, veja o artigo sobre como auditar a fatura do plano de saúde.
Gestão baseada em dados
Empresas que tomam decisões baseadas em dados de utilização têm sinistralidade 15% a 20% menor que empresas que gerenciam o plano de forma reativa (IESS, 2024). Para entender como usar dados para reduzir sinistralidade, veja o artigo sobre como reduzir sinistralidade com gestão de dados.
VCMH: a inflação médica que define o reajuste
O VCMH (Variação dos Custos Médico-Hospitalares) é o índice calculado pelo IESS que mede a inflação médica. Em 2026, o VCMH está em 15,3%, mais de 3 vezes o IPCA de 4,8%.
O VCMH é composto por dois fatores: variação de frequência (as pessoas estão usando mais o plano?) e variação de custo (os procedimentos estão ficando mais caros?). Em 2026, ambos os fatores estão pressionando o índice para cima.
Para entender como o VCMH impacta o reajuste e como usar esse dado na negociação, veja o artigo sobre VCMH 2026: dados atualizados e impacto no reajuste e a comparação com o IPCA em VCMH vs IPCA: entendendo a inflação médica.
ROI da gestão de sinistralidade
A gestão ativa de sinistralidade tem ROI mensurável. Os dados da Axenya mostram:
- Redução de 48% na sinistralidade geral da população monitorada em 12 meses de acompanhamento.
- Redução de 64% na sinistralidade de hipertensos e diabéticos, as condições de maior impacto no custo.
- Correlação de R=0,75 entre tempo de acompanhamento e melhora de resultado clínico.
- R$ 723 milhões em custos gerenciados em carteiras sob gestão ativa.
- Reajuste médio de 9,4% para clientes com gestão ativa, contra 18% a 24% do mercado no mesmo período.
Para entender como calcular o ROI da gestão de saúde corporativa, veja o artigo sobre como reduzir o custo do plano sem cortar benefícios.
Se quiser um diagnóstico da sinistralidade da sua carteira, fale com um especialista da Axenya.
Benchmarks por setor
A sinistralidade varia significativamente por setor, porte e perfil demográfico. Os benchmarks do IESS (2024) mostram:
- Indústria: sinistralidade média de 78% a 85%, com alta prevalência de doenças musculoesqueléticas e acidentes de trabalho.
- Serviços: sinistralidade média de 75% a 82%, com alta prevalência de doenças de saúde mental e doenças crônicas.
- Varejo: sinistralidade média de 72% a 80%, com alta rotatividade e perfil mais jovem.
- Tecnologia: sinistralidade média de 68% a 75%, com perfil mais jovem e maior adesão a programas preventivos.
- Saúde: sinistralidade média de 80% a 90%, com alta prevalência de burnout e doenças ocupacionais.
Para benchmarks detalhados por setor, veja o artigo sobre benchmark de custo de saúde corporativa por setor.
Ferramentas e dashboards
A gestão eficaz da sinistralidade requer ferramentas que transformem dados em decisões. As principais ferramentas incluem:
Dashboard de sinistralidade
Um dashboard de sinistralidade deve mostrar: sinistralidade total e core, evolução mensal, decomposição por categoria (consultas, exames, internações), top utilizadores e comparação com benchmark do setor. Para entender como construir um dashboard eficaz, veja o artigo sobre dashboard de sinistralidade: como construir e usar.
Relatório de utilização da operadora
O relatório de utilização é o documento mais importante para a gestão da sinistralidade. Ele detalha todos os sinistros por beneficiário, categoria e período. Para entender como interpretar o relatório, veja o artigo sobre 7 indicadores de sinistralidade que o RH precisa monitorar.
Negociação de reajuste
A sinistralidade é o principal argumento na negociação de reajuste. Para entender como usar os dados de sinistralidade na negociação, veja os artigos sobre como negociar o reajuste com argumentos técnicos e reajuste 2026: como negociar.
Cotação e troca de operadora
Quando a sinistralidade está muito alta e a operadora não oferece condições adequadas, a troca pode ser a melhor opção. Para entender o processo, veja o artigo sobre cotação de plano de saúde empresarial: guia técnico.
Componentes da sinistralidade: core vs não-core
A sinistralidade total e composta por dois grupos distintos de eventos, com logicas de gestão completamente diferentes:
Sinistralidade core (60% a 75% do total)
A sinistralidade core representa os eventos recorrentes e previsíveis: consultas, exames de rotina, medicamentos, procedimentos ambulatoriais e internacoes por condições crônicas gerenciadas. Esse componente e o mais relevante para a gestão, pois e influenciavel por intervencoes preventivas e de gestão de crônicos.
Caracteristicas da sinistralidade core:
- Previsivel: varia pouco mes a mes, permite projeções confiáveis.
- Gerenciavel: responde a intervencoes de gestão de crônicos, telemedicina e programas preventivos.
- Concentrada: os 5% de colaboradores com maior utilização concentram 50% do custo core (regra 5/50).
- Sensível ao tempo: quanto mais cedo a intervenção, menor o custo acumulado.
Sinistralidade não-core (25% a 40% do total)
A sinistralidade não-core inclui eventos de alto custo e baixa frequência: internacoes por condições agudas, cirurgias complexas, tratamentos oncologicos e casos de trauma. Esses eventos são menos previsíveis e menos influenciaveis por gestão preventiva no curto prazo.
Caracteristicas da sinistralidade não-core:
- Volatil: um único caso oncologico pode elevar a sinistralidade em 5 a 10 pontos percentuais.
- Parcialmente gerenciavel: rastreamento precoce (como o programa de cancer de mama) reduz o custo dos casos oncologicos ao longo do tempo.
- Candidata a stop-loss: operadoras oferecem clausulas de stop-loss que limitam o impacto de casos individuais acima de um valor definido (geralmente R$ 50.000 a R$ 100.000).
A gestão eficaz da sinistralidade atua nos dois componentes: reduz o core com gestão de crônicos e prevenção, e mitiga o não-core com stop-loss e rastreamento precoce de condições de alto custo.
VCMH 6,75%: o que os dados ANS 2024 revelam
O VCMH (Variacao dos Custos Médico-Hospitalares) calculado pela Axenya com base nos dados ANS (SIP/TISS 2024) ficou em 6,75% acumulado para o período analisado. Esse número e composto por dois fatores:
- Variacao de frequência (Deltafreq): as pessoas estao usando mais o plano? Em 2024, a frequência de consultas e exames cresceu 3,2% em relação a 2023, impulsionada pela normalizacao pos-pandemia e pelo aumento de diagnósticos de condições crônicas.
- Variacao de custo (Deltacusto): os procedimentos estao ficando mais caros? Em 2024, o custo medio por procedimento cresceu 3,4%, acima do IPCA de 4,8% no mesmo período, mas abaixo do VCMH do IESS de 15,3% (que inclui componentes adicionais como medicamentos e tecnologia).
A diferença entre o VCMH da Axenya (6,75%) e o VCMH do IESS (15,3%) reflete metodologias diferentes: o IESS inclui medicamentos de alto custo e tecnologia médica, que são os componentes de maior crescimento. Para a gestão da sinistralidade corporativa, o VCMH da Axenya e mais relevante para projetar o custo da carteira própria.
O impacto prático: uma empresa com sinistralidade de 75% e VCMH de 6,75% pode esperar sinistralidade de 80% no proximo ano, sem nenhuma mudança no perfil da carteira. Isso explica por que a gestão ativa e necessária apenas para manter a sinistralidade estavel, não apenas para reduzi-la.
Para dados atualizados e metodologia completa do VCMH, veja o artigo sobre VCMH 2026: dados atualizados e impacto no reajuste.
Internacoes: 48% do custo e a alavanca de maior impacto
Em carteiras com sinistralidade acima de 80%, as internacoes representam 48% do custo total (ANS, 2024). Esse número e critico porque as internacoes são o componente de maior custo unitario e, em grande parte, evitavel com gestão adequada.
A decomposição das internacoes por tipo revela onde atuar:
- Internacoes por condições crônicas descompensadas (35% das internacoes): diabetes, hipertensao, insuficiencia cardiaca. Evitaveis com gestão de crônicos e acesso a cuidado ambulatorial de qualidade. Custo medio: R$ 8.000 a R$ 25.000 por internacao.
- Internacoes cirurgicas eletivas (28% das internacoes): ortopedia, ginecologia, urologia. Parcialmente gerenciaveis com segunda opiniao médica e gestão de indicação cirurgica. Custo medio: R$ 15.000 a R$ 60.000.
- Internacoes por urgencia e emergência (22% das internacoes): infarto, AVC, trauma. Menos gerenciaveis no curto prazo, mas reduzidas por gestão de fatores de risco cardiovascular. Custo medio: R$ 20.000 a R$ 80.000.
- Internacoes oncologicas (15% das internacoes): quimioterapia, cirurgia oncologica, cuidados paliativos. Gerenciaveis com rastreamento precoce. Custo medio: R$ 30.000 a R$ 150.000.
A estratégia de redução de internacoes mais eficaz combina: gestão de crônicos (reduz internacoes por descompensacao), segunda opiniao médica (reduz cirurgias desnecessarias) e rastreamento precoce de cancer (reduz internacoes oncologicas de alto custo). Para entender como implementar, veja o artigo sobre internacoes: 48% do custo do plano e como reduzir.
8 estrategias para reduzir sinistralidade sem cortar benefícios
Este é um dos aspectos mais relevantes para empresas que buscam resultados concretos em gestão de saúde corporativa. A experiência do mercado mostra que as organizações mais bem-sucedidas compartilham uma característica: tomam decisões baseadas em dados, não em intuição.
Na prática, isso significa ter visibilidade sobre os indicadores certos, na frequência certa, com o nível de detalhe que permite ação. Relatórios trimestrais genéricos não são suficientes — o gestor precisa de informações que permitam identificar tendências antes que se tornem problemas.
O investimento em estruturar essa capacidade analítica se paga rapidamente. Segundo benchmarks do setor, empresas com gestão orientada por dados reduzem custos com saúde em 15% a 25% em 18 meses, sem cortar benefícios dos colaboradores.
Estratégia 1: gestão de crônicos com acompanhamento baseado em VBHC
A gestão de crônicos e a alavanca de maior impacto na sinistralidade core. Identificar os colaboradores com diabetes, hipertensao, doenças cardiacas e outras condições crônicas de alto custo e implementar acompanhamento clínico estruturado pode reduzir a sinistralidade desse grupo em 40% a 64% em 12 meses (Axenya, dados de carteiras gerenciadas).
O modelo VBHC (Value-Based Healthcare) foca em resultados clínicos mensuraveis, não apenas em utilização. Um diabetico com HbA1c controlada tem 70% menos internacoes que um diabetico descompensado. O custo do acompanhamento e de R$ 200 a R$ 400 por paciente por mes; a economia em internacoes evitadas e de R$ 8.000 a R$ 25.000 por evento prevenido.
Estratégia 2: auditoria mensal da fatura
Auditorias de faturas identificam cobranças indevidas em 8% a 15% do valor total (IESS, 2024). Para uma empresa com fatura mensal de R$ 500.000, isso representa R$ 40.000 a R$ 75.000 de cobranças indevidas por mes. A auditoria mensal, realizada por profissional especializado ou pela corretora, tem custo de R$ 2.000 a R$ 5.000 e ROI de 8x a 15x. Para entender o processo completo, veja o artigo sobre como auditar a fatura do plano de saúde empresarial.
Estratégia 3: segunda opiniao médica para cirurgias eletivas
Estudos internacionais mostram que 20% a 30% das cirurgias eletivas indicadas não são necessarias ou poderiam ser substituidas por tratamento conservador (JAMA, 2023). Um programa de segunda opiniao médica para cirurgias acima de R$ 15.000 pode reduzir o número de cirurgias desnecessarias em 15% a 25%, com impacto direto na sinistralidade.
Estratégia 4: telemedicina para redução de urgencias desnecessarias
30% a 40% das visitas a pronto-socorro são por condições que poderiam ser tratadas ambulatorialmente (ANS, 2024). A telemedicina disponível 24 horas redireciona esses casos para atendimento de menor custo, reduzindo o uso de urgencia em 20% a 35%. O custo de uma consulta de telemedicina e de R$ 50 a R$ 100; o custo de uma visita ao pronto-socorro e de R$ 800 a R$ 2.500.
Estratégia 5: programa de saúde preventiva com foco em fatores de risco
Programas de saúde preventiva que identificam e tratam fatores de risco (obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse) antes que se tornem doenças crônicas tem ROI de 3x a 6x em 3 a 5 anos (McKinsey Health Institute, 2024). O impacto na sinistralidade e gradual, mas sustentável.
Estratégia 6: gestão de indicação cirurgica com protocolo de autorizacao
Implementar protocolo de autorizacao previa para cirurgias eletivas, com revisao clínica por médico da operadora ou da empresa, reduz cirurgias desnecessarias sem negar cobertura para casos necessarios. O protocolo deve ser transparente e ter prazo de resposta definido (máximo 5 dias úteis, conforme ANS).
Estratégia 7: rastreamento precoce de condições de alto custo
Cancer de mama, cancer de colo de utero, diabetes e hipertensao são as condições de maior custo quando diagnosticadas tardiamente. Programas de rastreamento precoce reduzem o custo de tratamento em 60% a 80% ao detectar essas condições em estagios iniciais. O ROI e de 4x a 10x o investimento em rastreamento.
Estratégia 8: negociação de reajuste com dados de sinistralidade
A sinistralidade e o principal argumento na negociação de reajuste. Empresas que apresentam dados de sinistralidade com tendência de queda, programa de gestão ativo e resultados mensuraveis conseguem reajustes 30% a 50% menores que empresas sem dados. Para entender como usar os dados na negociação, veja o artigo sobre reajuste 2026: como negociar com dados técnicos.
Métricas para acompanhar mensalmente
A gestão eficaz da sinistralidade requer monitoramento continuo de indicadores-chave. As métricas essenciais, com frequência de acompanhamento recomendada:
| Métrica | Frequência | Meta | Ação se fora da meta |
|---|---|---|---|
| Sinistralidade total | Mensal | Abaixo de 75% | Acionar plano de ação em 30 dias |
| Sinistralidade core | Mensal | Abaixo de 65% | Revisar gestão de crônicos |
| Custo per capita mensal | Mensal | Variacao menor que VCMH | Identificar causas de crescimento |
| Top 10 utilizadores | Mensal | Acompanhamento ativo de todos | Incluir em programa de gestão |
| Taxa de internacao por 1.000 vidas | Trimestral | Abaixo do benchmark do setor | Revisar gestão de crônicos e urgencias |
| Custo medio por internacao | Trimestral | Estavel ou decrescente | Revisar indicação cirurgica |
| Evolucao do FAP | Anual | Abaixo de 1,0 | Revisar programa de segurança |
Para entender como construir um dashboard de sinistralidade com essas métricas, veja o artigo sobre dashboard de sinistralidade: como construir e usar.
Sinistralidade por porte: PME, Middle Market e Corporate
Este é um dos aspectos mais relevantes para empresas que buscam resultados concretos em gestão de saúde corporativa. A experiência do mercado mostra que as organizações mais bem-sucedidas compartilham uma característica: tomam decisões baseadas em dados, não em intuição.
Na prática, isso significa ter visibilidade sobre os indicadores certos, na frequência certa, com o nível de detalhe que permite ação. Relatórios trimestrais genéricos não são suficientes — o gestor precisa de informações que permitam identificar tendências antes que se tornem problemas.
O investimento em estruturar essa capacidade analítica se paga rapidamente. Segundo benchmarks do setor, empresas com gestão orientada por dados reduzem custos com saúde em 15% a 25% em 18 meses, sem cortar benefícios dos colaboradores.
PME (2 a 29 vidas): o desafio da carteira pequena
Carteiras pequenas tem sinistralidade mais volatil: um único caso de alto custo pode elevar a sinistralidade em 20 a 30 pontos percentuais. A solução e o pool de risco: PMEs contratam planos coletivos por adesão ou por administradora, diluindo o risco em carteiras maiores. O reajuste e baseado na sinistralidade do pool, não da empresa individual.
Para PMEs, a gestão de sinistralidade e mais limitada, mas ainda possível: auditoria de fatura, verificação de dependentes elegíveis e programa básico de saúde preventiva são as alavancas mais acessiveis.
Middle Market (30 a 199 vidas): a zona de transicao
Empresas de 30 a 199 vidas tem sinistralidade própria, mas ainda com volatilidade significativa. O reajuste e baseado na sinistralidade da carteira própria, o que cria incentivo para gestão ativa. As alavancas mais eficazes nessa faixa: gestão de crônicos para os top utilizadores, auditoria de fatura e telemedicina.
O breakeven da gestão ativa no Middle Market e de aproximadamente 70% de sinistralidade: abaixo disso, o custo do programa de gestão pode superar a economia gerada. Acima de 70%, a gestão ativa tem ROI positivo. Para entender como calcular o breakeven da sua carteira, veja o artigo sobre garantia de eficiência e fee-per-life: como funciona.
Corporate (200+ vidas): gestão ativa e obrigatoria
Empresas com mais de 200 vidas tem sinistralidade própria com estatística suficiente para gestão ativa. O reajuste e quase inteiramente baseado na sinistralidade da carteira própria, e a diferença entre gestão ativa e passiva pode ser de 10 a 15 pontos percentuais de reajuste. Para uma empresa com fatura de R$ 2 milhoes mensais, essa diferença representa R$ 2,4 milhoes a R$ 3,6 milhoes por ano.
No Corporate, todas as 8 estrategias de redução de sinistralidade são aplicaveis e tem ROI positivo. O programa de gestão deve incluir: gestão de crônicos, auditoria de fatura, segunda opiniao médica, telemedicina, rastreamento precoce e dashboard de sinistralidade com monitoramento mensal.
Case: redução de 48% na sinistralidade em 12 meses
A Axenya reduziu a sinistralidade de clientes em até 48% em 12 meses, com correlacao de R=0,75 entre tempo de acompanhamento e melhora de resultado clínico. O case mais representativo:
Empresa do setor de serviços, 450 vidas, sinistralidade inicial de 94%. Diagnóstico inicial identificou: 23 colaboradores com condições crônicas não gerenciadas (diabetes, hipertensao, doença cardiaca) concentrando 52% do custo total; taxa de internacao de 18 por 1.000 vidas (benchmark do setor: 12 por 1.000); cobranças indevidas de 11% na fatura mensal.
Intervencoes implementadas em 12 meses:
- Programa de gestão de crônicos para os 23 colaboradores identificados, com acompanhamento mensal por enfermeiro e médico.
- Auditoria mensal da fatura, com recuperacao media de R$ 28.000 por mes.
- Telemedicina 24h para redução de urgencias desnecessarias.
- Segunda opiniao médica para cirurgias eletivas acima de R$ 15.000.
Resultado em 12 meses: sinistralidade de 94% para 49% (redução de 48%). Reajuste negociado: 8,2% (mercado no mesmo período: 21%). Economia total: R$ 1,8 milhao em 12 meses. ROI do programa de gestão: 6,2 vezes o investimento.
O R=0,75 de correlacao entre tempo de acompanhamento e resultado clínico significa que quanto mais tempo o colaborador esta no programa de gestão de crônicos, melhor o resultado. Isso reforça a importância de programas continuos, não de intervencoes pontuais.
Próximos passos
A sinistralidade é um indicador que pode ser gerenciado. Empresas que implementam gestão ativa conseguem reduzir o custo do plano sem cortar benefícios, melhorar a saúde dos colaboradores e negociar reajustes menores.
O primeiro passo é o diagnóstico: entender onde está a sinistralidade da sua carteira, quais são as principais causas e quais alavancas têm maior potencial de impacto. A Axenya oferece diagnóstico gratuito para empresas com mais de 100 vidas.
Para começar, fale com um especialista da Axenya ou explore os artigos da série Sinistralidade: Do Conceito ao Controle.
Fontes e referências
- ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Nota Técnica Q4/2024: Sinistralidade do Setor.
- IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), Boletim VCMH 2026; Benchmarks de Sinistralidade por Setor, 2024.
- IBGE, PNAD Contínua 2023: Acesso a Planos de Saúde.
- OMS (Organização Mundial da Saúde), Health Financing: Value-Based Healthcare, 2023.
- Deloitte, 2024 Global Health Care Outlook: Navigating the Evolving Landscape.
- McKinsey Health Institute, The State of Corporate Health Management, 2024.
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