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Gestão de Custos • Gestão de Custos

Gestão de crônicos no plano empresarial: o custo de não agir

Samuel Alencar
28/03/2026
9 min de leitura
Central de Conhecimento
Profissional de saúde analisando dados de pacientes em tablet
Pexels LicenseFonte

Série de artigos

Sinistralidade: Do Conceito ao Controle

Artigo 14 de 30

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Como reduzir a sinistralidade com gestão de dados preditiva

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7 perguntas que todo CFO deveria fazer sobre o plano de saúde da empresa

Doenças CrônicasSinistralidadeSaúde CorporativaGestão de Saúde

Resumo executivo

  • Doenças crônicas como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares respondem por mais de 70% dos custos de saúde em carteiras corporativas, segundo dados do IESS e da ANS.
  • A regra dos 5% é consistente em qualquer carteira: 5% dos colaboradores geram aproximadamente 50% do custo total do plano. Sem identificar esse grupo, qualquer ação preventiva será genérica e ineficaz.
  • Programas genéricos de bem-estar (wellness) não funcionam para crônicos descompensados: eles precisam de gestão individualizada baseada em estratificação de risco, navegação de cuidado e monitoramento contínuo.
  • A OMS estima que depressão e ansiedade custam à economia global US$ 1 trilhão por ano em produtividade perdida. No Brasil, transtornos mentais já são a terceira maior causa de afastamento pelo INSS, com mais de 200 mil benefícios concedidos por ano. São 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente.
  • Este artigo apresenta o modelo de gestão de crônicos baseado em dados, com um cenário ilustrativo de impacto financeiro e o roteiro para os primeiros 90 dias de implementação.

O peso dos crônicos na sinistralidade

Quando uma empresa analisa sua sinistralidade e encontra um índice acima do esperado, a causa raramente está distribuída de forma uniforme pela carteira. Na maioria dos casos, uma concentração pequena de colaboradores com condições crônicas descompensadas responde pela maior parte do desvio. Esse ponto se conecta ao guia de sinistralidade em planos de saúde empresariais.

A regra dos 5% descreve esse fenômeno com precisão: em qualquer carteira corporativa, aproximadamente 5% dos beneficiários geram cerca de 50% do custo total. Esse grupo é composto, em sua maioria, por portadores de doenças crônicas que não estão recebendo o cuidado adequado para manter a condição compensada.

A distinção entre crônico compensado e descompensado é central para entender o impacto financeiro.

Um diabético compensado, com hemoglobina glicada controlada, medicação regular e consultas periódicas, gera um custo previsível e relativamente baixo: consultas trimestrais, exames de rotina e medicamentos. Um diabético descompensado, sem acompanhamento regular, tende a evoluir para complicações como nefropatia, retinopatia e pé diabético, que exigem internações, cirurgias e tratamentos de longa duração.

Cenário ilustrativo: em uma carteira de 500 vidas com 8% de diabéticos (40 pessoas), se metade desses colaboradores está descompensada, o custo anual estimado por pessoa descompensada pode ser 4 a 6 vezes maior do que o de um diabético compensado.

Isso representa uma diferença de custo que, em 12 meses, pode justificar sozinha um reajuste de 5 a 8 pontos percentuais acima do VCMH do setor.

Por que programas genéricos de bem-estar não funcionam

A resposta mais comum das empresas ao problema de sinistralidade alta é contratar um programa de bem-estar: palestras de nutrição, desafios de passos, meditação guiada, aplicativos de saúde. Esses programas têm valor para a população geral, mas são insuficientes para o grupo que realmente move a sinistralidade.

O problema do modelo genérico é estrutural.

Um colaborador com diabetes descompensada não precisa de uma palestra sobre alimentação saudável: ele precisa de um médico que revise sua medicação, de um enfermeiro que monitore sua glicemia e de um sistema que garanta que ele não vai faltar à próxima consulta.

Oferecer o mesmo programa para toda a carteira é o equivalente a tratar uma fratura com analgésico: alivia superficialmente, mas não resolve o problema.

A OMS estima que depressão e ansiedade custam à economia global US$ 1 trilhão por ano em produtividade perdida, com 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente.

Em 2019, 15% dos adultos em idade ativa tinham algum transtorno mental. Esses dados mostram que a saúde mental é uma condição crônica tão relevante quanto diabetes ou hipertensão para a gestão de sinistralidade, e igualmente mal gerenciada por programas genéricos.

O problema do "one size fits all" é agravado pela falta de dados. Sem estratificação de risco, a empresa não sabe quem precisa de intervenção intensiva e quem se beneficia de ações preventivas leves. O resultado é um investimento em saúde que não chega a quem mais precisa.

O que funciona: gestão baseada em estratificação de risco

A gestão eficaz de crônicos começa com a capacidade de identificar, dentro da carteira, quem está em risco elevado e quem está estável. Esse processo, chamado de estratificação de risco, é o que diferencia a gestão baseada em dados da gestão por intuição.

Identificação precoce

A identificação dos colaboradores de maior risco pode ser feita por múltiplas fontes: dados de sinistro (frequência de internações, uso de pronto-socorro, medicamentos de uso contínuo) e triagem de saúde com indicadores biométricos.

Ferramentas como o FaceScan medem pressão arterial, frequência cardíaca e outros indicadores de risco cardiovascular com 96,2% de precisão e 77% de adesão nas populações onde foi implementado.

A combinação dessas fontes permite construir um mapa de risco da carteira que vai muito além do que os dados de sinistro isolados conseguem mostrar.

Um colaborador que ainda não gerou custo significativo, mas que tem pressão arterial elevada e glicemia no limite, é um risco futuro que pode ser interceptado agora, antes que se torne um evento de alta complexidade.

Navegação de cuidado para os de maior risco

Identificar o risco é apenas o primeiro passo. O que transforma identificação em resultado é a navegação de cuidado: um processo estruturado de acompanhamento individualizado que garante que o colaborador de alto risco receba o cuidado correto, no momento certo, sem barreiras de acesso.

Na prática, isso significa uma equipe de enfermeiros e médicos que monitora ativamente os colaboradores estratificados como alto risco, garante adesão ao tratamento, coordena o acesso a especialistas e intervém quando há sinais de descompensação. Esse modelo, descrito na solução de navegação de cuidado da Axenya, é o que permite reduzir internações evitáveis e uso inadequado de pronto-socorro.

Monitoramento contínuo com indicadores KBS

A gestão de crônicos não é um projeto com início e fim: é um processo contínuo que precisa de indicadores para medir progresso e ajustar a estratégia. Os indicadores KBS (Key Benefit Statistics) incluem métricas como taxa de adesão ao tratamento, frequência de consultas de acompanhamento, variação da sinistralidade core por grupo de risco e redução de internações evitáveis.

Sem esses indicadores, é impossível saber se o programa está funcionando ou se o dinheiro investido está gerando retorno. Com eles, a empresa consegue demonstrar para a operadora, na próxima renovação, que as ações realizadas justificam um reajuste abaixo do VCMH do setor. Leia mais sobre como usar indicadores KBS na gestão de saúde corporativa.

Integração de dados

A estratificação de risco só é possível quando as fontes de dados estão integradas. Dados de sinistro, resultados de triagem, histórico de farmácia e registros de navegação clínica precisam conversar em uma plataforma única para que o mapa de risco seja completo e atualizado em tempo real.

Essa integração é o que permite identificar, por exemplo, que um colaborador que parou de comprar medicamentos de uso contínuo (sinal visível nos dados de farmácia) está em risco de descompensação, antes que isso apareça como internação na fatura do mês seguinte. Sem integração, cada fonte de dado conta apenas parte da história.

Quer saber quem são os 5% que estão movendo sua sinistralidade? Conheça a plataforma de saúde preditiva da Axenya e veja como a estratificação de risco funciona na prática.

O impacto financeiro: cenário com e sem gestão

Para tornar o impacto financeiro concreto, considere o seguinte cenário ilustrativo com uma empresa de 1.000 vidas.

Cenário ilustrativo: empresa de 1.000 vidas, sinistralidade atual de 78%

Sem gestão de crônicos: os 50 colaboradores no grupo de alto risco (5% da carteira) geram, em média, 6 vezes mais custo do que a média da carteira.

Em um plano com prêmio médio de R$ 800 por vida, isso representa um custo anual de aproximadamente R$ 2,9 milhões só para esse grupo, contra R$ 480 mil se estivessem compensados. A diferença de R$ 2,4 milhões por ano é o custo da não gestão.

Com gestão ativa de crônicos: programas estruturados de navegação de cuidado conseguem reduzir a sinistralidade core em 15% a 25% em 12 meses, segundo dados de operadoras e gestoras de saúde que implementaram esse modelo.

Aplicando uma redução conservadora de 15% sobre o custo do grupo de alto risco, a economia anual estimada seria de R$ 360 mil, com impacto direto no índice de sinistralidade e, consequentemente, no reajuste da renovação.

Os resultados da Axenya com clientes que implementaram gestão ativa de crônicos incluem reajuste médio de 9,4% contra aproximadamente 20% praticado pelo mercado e economia comprovada de R$ 13 milhões em 12 meses em um cliente do setor de energia com carteira de grande porte.

A taxa de renovação de 97% entre os clientes ativos reflete a percepção de valor gerado por esse modelo.

Para aprofundar a análise financeira, leia: o que é sinistralidade e como ela afeta o reajuste do plano.

Como começar nos primeiros 90 dias

A implementação de um programa de gestão de crônicos não precisa ser complexa para ser eficaz. O roteiro abaixo descreve as ações prioritárias para os primeiros três meses.

Mês 1: diagnóstico e estratificação. O ponto de partida é entender quem está na carteira.

Isso inclui solicitar à operadora os dados de sinistralidade dos últimos 24 meses com granularidade por tipo de serviço, realizar triagem de saúde com indicadores biométricos para a população ativa e cruzar os dados de sinistro com os resultados da triagem para construir o mapa de risco inicial.

Ao final do primeiro mês, a empresa deve saber quem são os colaboradores de alto risco e qual é o custo potencial associado a cada grupo.

Mês 2: ativação dos programas para o top 5%. Com o mapa de risco em mãos, o segundo mês é dedicado a ativar as intervenções para o grupo de maior risco.

Isso inclui contato individualizado com cada colaborador identificado, encaminhamento para consultas de acompanhamento com especialistas, e início do monitoramento contínuo com indicadores de adesão ao tratamento. A prioridade é garantir que nenhum colaborador de alto risco fique sem acompanhamento ativo.

Mês 3: primeira revisão de resultados. Ao final do terceiro mês, é possível fazer a primeira avaliação de impacto: quantos colaboradores de alto risco estão em acompanhamento ativo, qual é a taxa de adesão ao tratamento, e se há sinais de redução no uso de pronto-socorro pelo grupo monitorado.

Esses dados são o ponto de partida para o relatório técnico que será usado na próxima negociação de reajuste.

Para dar o primeiro passo, fale com um especialista da Axenya e entenda como o diagnóstico inicial pode ser feito sem impacto operacional para o RH.

Fontes e referências

  • OMS: Mental Health at Work
  • ANS: Agência Nacional de Saúde Suplementar
  • IESS: Instituto de Estudos de Saúde Suplementar
  • ABRAMGE: Associação Brasileira de Planos de Saúde

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Perguntas Frequentes

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