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Sinistralidade core vs outliers: por que sua empresa precisa separar os dois

Samuel Alencar
19/03/2026
16 min de leitura
Central de Conhecimento
Tela de laptop com gráficos de análise de desempenho e distribuição de dados, representando análise de sinistralidade
Unsplash LicenseFonte

Resumo executivo

  • Analisar sinistralidade como número único esconde onde o custo se concentra e impede ações direcionadas: empresas que separam core de outliers conseguem reduzir propostas de reajuste em até 20 pontos percentuais.
  • Sinistralidade core representa 60% a 75% do custo total em carteiras típicas: consultas, pronto-socorro e exames de rotina, previsíveis e gerenciáveis com prevenção e governança.
  • Outliers concentram 15% a 25% do custo em menos de 5% das vidas: internações prolongadas, UTI, cirurgias de grande porte e terapias de alta complexidade.
  • Segundo a Kaiser Family Foundation, 5% da população responde por 50% dos gastos totais em saúde. No Brasil, a sinistralidade média fechou o Q4/2024 em 82,2%, segundo a ANS.
  • Separar core de outliers permite agir com precisão: reduzir core com prevenção e governança, mitigar outliers com gestão de crônicos e navegação de cuidado.

Neste artigo

  1. O que é sinistralidade core
  2. O que são outliers em sinistralidade
  3. Exemplo numérico: decomposição core vs outliers em 500 vidas
  4. Por que olhar sinistralidade total como bloco único é um erro
  5. Como decompor a sinistralidade: exemplo prático
  6. Cenário 1: empresa que reduziu o core sem tocar nos outliers
  7. Cenário 2: empresa que reduziu outliers com gestão de crônicos
  8. Como a inteligência preditiva identifica outliers antes do custo
  9. Quando priorizar core e quando priorizar outliers
  10. Ações por tipo de sinistro: o que fazer com cada componente
  11. Três erros comuns ao lidar com sinistralidade alta
  12. Fontes e referências

"5% da população responde por 50% de todos os gastos em saúde, e essa concentração se mantém estável em todos os sistemas de saúde estudados, independentemente do país ou do modelo de financiamento."

, Kaiser Family Foundation, Health Expenditures Across the Population, 2024

O que é sinistralidade core

Sinistralidade core é a parcela do custo gerada pelo uso recorrente e previsível do plano de saúde. Consultas eletivas, idas ao pronto-socorro por queixas de baixa complexidade, exames de rotina, fisioterapia, medicamentos contínuos. Tudo o que acontece com frequência regular e volume distribuído entre muitos beneficiários. O tema aparece em detalhe no sinistralidade em planos de saúde empresariais.

Em uma carteira de 1.000 vidas com sinistralidade total de 80%, o core tipicamente responde por 65 pontos percentuais. Ou seja: de cada R$ 100 pagos em prêmio, R$ 65 financiam esse uso recorrente.

A característica central do core é a previsibilidade. A empresa consegue projetar, com razoável precisão, quanto vai gastar no próximo trimestre com consultas e exames de rotina, porque o padrão se repete. Isso torna o core o território natural da prevenção e da gestão ativa.

Componentes típicos do core

  • Consultas eletivas: clínico geral, ortopedia, ginecologia, dermatologia. Alto volume, baixo custo unitário.
  • Pronto-socorro de baixa complexidade: dor de cabeça, febre, torção. Frequente em carteiras sem orientação de cuidado.
  • Exames de rotina: hemograma, glicemia, colesterol, ultrassom. Custo individual baixo, mas o acumulado é relevante pelo volume.
  • Medicamentos contínuos: anti-hipertensivos, antidiabéticos, antidepressivos. Previsíveis quando a população crônica é mapeada.
  • Fisioterapia e reabilitação: sessões recorrentes, especialmente em populações com alto índice de queixas osteomusculares.

Por que o core importa mais do que parece

O core é o terreno onde a gestão ativa tem mais impacto. Segundo dados de mercado compilados pelo IESS, o custo médio de um atendimento de pronto-socorro no Brasil varia de R$ 350 a R$ 900, dependendo da complexidade e da região, com média de R$ 580 por evento em carteiras corporativas.

Em uma carteira de 1.000 vidas com 15% de frequência mensal no PS, são 150 atendimentos por mês. Se 30% forem evitáveis por teleconsulta ou orientação clínica prévia, a economia chega a R$ 18 mil por mês, ou R$ 216 mil por ano, apenas nessa alavanca.

É dinheiro que não aparece em nenhum "evento catastrófico", mas que corrói a margem da operadora e, por consequência, pressiona o reajuste. A sinistralidade que a operadora usa para calcular o reajuste inclui todo o core, que funciona como uma base inflacionária silenciosa.

O que são outliers em sinistralidade

Outliers são eventos de alto custo unitário, baixa frequência e alta imprevisibilidade. Uma internação em UTI por 30 dias, uma cirurgia cardíaca, um transplante, um tratamento oncológico prolongado, terapias biológicas de alto custo. São eventos que, individualmente, podem representar o equivalente a um ano inteiro de prêmio de dezenas de beneficiários.

Na mesma carteira de 1.000 vidas com 80% de sinistralidade, os outliers tipicamente respondem por 15 pontos percentuais. Parece pouco comparado aos 65 pontos do core. Mas esse custo está concentrado em 30 a 50 pessoas, não em 1.000.

Perfil típico de outliers

  • Internações prolongadas (acima de 10 dias): UTI, politrauma, pós-operatório complicado. Custo diário de UTI no Brasil varia de R$ 2.500 a R$ 8.000, segundo dados de mercado.
  • Cirurgias de grande porte: cardíacas, bariátricas, neurocirurgias, transplantes. Procedimentos que sozinhos ultrapassam R$ 100 mil.
  • Terapias de alta complexidade: oncologia (quimioterapia, imunoterapia), tratamentos biológicos para doenças autoimunes, terapias gênicas. Ciclos que duram meses com custo mensal de R$ 20 mil a R$ 80 mil.
  • Complicações de crônicos descompensados: diabético que evolui para amputação, hipertenso que sofre AVC, paciente renal que entra em hemodiálise. O custo do crônico descompensado é 5 a 10 vezes maior que o do crônico bem acompanhado.

A regra dos 5%

A Kaiser Family Foundation documenta um padrão que se repete em todos os sistemas de saúde do mundo: 5% da população responde por 50% dos gastos totais. Esses 5% são, predominantemente, os outliers da carteira.

Em uma empresa de 1.000 vidas, isso significa que 50 pessoas concentram metade de todo o custo do plano. Sem identificar quem são essas 50 pessoas e por que estão gerando custo, qualquer estratégia de redução de sinistralidade é tiro no escuro.

Exemplo numérico: decomposição core vs outliers em 500 vidas

Para tornar a separação concreta, considere uma empresa de 500 vidas com sinistralidade total de 83% e prêmio anual de R$ 6 milhões:

ComponenteSinistralidadeCusto anualNº de vidas envolvidasCusto médio por evento
Core, consultas eletivas22%R$ 1.320.000~380 vidasR$ 3.470/vida/ano
Core, pronto-socorro18%R$ 1.080.000~210 vidasR$ 5.140/vida/ano
Core, exames e fisioterapia15%R$ 900.000~290 vidasR$ 3.100/vida/ano
Core, medicamentos contínuos10%R$ 600.000~120 vidas (crônicos)R$ 5.000/vida/ano
Outliers, internações prolongadas12%R$ 720.0008 vidasR$ 90.000/evento
Outliers, alta complexidade6%R$ 360.0004 vidasR$ 90.000/evento
Total83%R$ 4.980.000, ,

Neste exemplo, 12 vidas (2,4% da carteira) concentram R$ 1,08 milhão em outliers, 18% de toda a sinistralidade. Sem identificar essas 12 pessoas, qualquer estratégia de redução de custo é genérica demais para funcionar.

Por que olhar sinistralidade total como bloco único é um erro

Quando o gestor financeiro recebe o relatório da operadora dizendo "sinistralidade de 85%", a reação padrão é: precisamos reduzir. Mas reduzir o quê?

Se os 85% se decompõem em 67% de core e 18% de outliers, as estratégias de atuação são completamente diferentes. Reduzir core exige frequência de uso, governança e prevenção primária. Reduzir outliers exige gestão de crônicos, navegação clínica e detecção precoce de risco.

O efeito "média enganosa"

Imagine duas empresas com sinistralidade de 80%:

  • Empresa A: core de 72%, outliers de 8%. A utilização recorrente está muito alta. A empresa precisa de governança sobre frequência de PS, segunda opinião médica e atenção primária.
  • Empresa B: core de 55%, outliers de 25%. O uso recorrente está controlado, mas três pacientes oncológicos e duas internações prolongadas puxaram o índice. A empresa precisa de gestão de crônicos de alto risco e negociação de coparticipação em alta complexidade.

Mesma sinistralidade total. Estratégias opostas. Sem a decomposição, o gestor pode investir em ações de prevenção (reduz core) quando o problema real são os outliers, ou vice-versa.

O que a operadora não mostra

O relatório padrão da operadora traz sinistralidade total, prêmio pago e, quando muito, um ranking dos maiores sinistros. Raramente apresenta a decomposição core vs outliers, porque essa análise exige integração de dados que a própria operadora nem sempre faz.

Resultado: a empresa negocia o reajuste com base em um número agregado que não revela onde o dinheiro está indo. A operadora propõe 25% de aumento e a empresa aceita ou pede desconto, sem argumento técnico. A gestão preditiva começa justamente por essa decomposição.

Como decompor a sinistralidade: exemplo prático

Considere uma empresa com 1.000 vidas e sinistralidade total de 80%. Prêmio anual: R$ 12 milhões. Sinistro total: R$ 9,6 milhões.

Passo 1: classificar os sinistros

Solicite à operadora o detalhamento por beneficiário (relatório de sinistro individualizado) dos últimos 12 meses. Classifique cada evento em duas categorias:

  • Core: consultas, PS de baixa complexidade, exames, fisioterapia, medicamentos de uso contínuo. Custo unitário tipicamente abaixo de R$ 5.000 por evento.
  • Outlier: internações acima de 7 dias, cirurgias acima de R$ 50 mil, tratamentos contínuos acima de R$ 10 mil por mês.

Passo 2: calcular as parcelas

Neste exemplo:

  • Sinistro core: R$ 7,8 milhões (65% de sinistralidade)
  • Sinistro outlier: R$ 1,8 milhão (15% de sinistralidade)
  • Total: R$ 9,6 milhões (80%)

A diferença entre 65% e 15% muda tudo. O core é o volume. O outlier é a intensidade.

Passo 3: identificar os maiores outliers

Liste os 20 maiores sinistros individuais do período. Análise:

  • Quantos são eventos agudos imprevisíveis (acidente, infarto súbito)?
  • Quantos são complicações de condições crônicas preexistentes (diabetes descompensado, DPOC agudizada)?
  • Quantos poderiam ter sido evitados ou mitigados com acompanhamento ativo?

Tipicamente, 40% a 60% dos outliers têm um componente de crônico descompensado. Isso significa que são parcialmente previsíveis e, portanto, preveníveis.

Cenário 1: empresa que reduziu o core sem tocar nos outliers

Para ilustrar como essa abordagem funciona na prática, considere uma empresa de médio porte com aproximadamente 1.500 vidas no plano de saúde. A sinistralidade estava em 82% e o reajuste proposto pela operadora era de 25%.

Após implementar as ações descritas, a empresa conseguiu reduzir a sinistralidade para 71% em 12 meses. O reajuste negociado caiu para 14% — uma economia de R$ 1,2 milhão no ciclo contratual. O ponto de virada foi a combinação de dados granulares com ações direcionadas aos grupos de maior custo.

O aprendizado principal: resultados expressivos não exigem corte de benefícios. Exigem visibilidade sobre onde o custo se concentra e disciplina para agir nos pontos certos.

O que aconteceu

Uma empresa do setor de serviços com 1.200 vidas tinha sinistralidade de 84%: core de 70%, outliers de 14%. O pronto-socorro representava 28% de todo o core, com média de 180 atendimentos por mês.

O que foi feito

  • Governança mensal: comitê de saúde com RH, financeiro e consultória (frequência fixa, pauta padronizada)
  • Triagem via FaceScan: mapeamento de sinais vitais e estresse em 77% da população em 30 dias
  • Teleconsulta como primeira linha: direcionamento dos casos de baixa complexidade para atendimento virtual antes da ida ao PS
  • Auditoria de fatura: identificação de 14 vidas indevidas (demitidos e dependentes fora de cobertura) que ainda geravam custo

O resultado

Em 8 meses, o core caiu de 70% para 58%. A frequência de PS reduziu 35%. Os outliers permaneceram em 14% (dois eventos de alta complexidade aconteceram no período). A sinistralidade total caiu de 84% para 72%, abaixo do breakeven de 75% (IESS). Na renovação, a empresa negociou reajuste de 8%, contra os 22% inicialmente propostos pela operadora.

Cenário 2: empresa que reduziu outliers com gestão de crônicos

Para ilustrar como essa abordagem funciona na prática, considere uma empresa de médio porte com aproximadamente 1.500 vidas no plano de saúde. A sinistralidade estava em 82% e o reajuste proposto pela operadora era de 25%.

Após implementar as ações descritas, a empresa conseguiu reduzir a sinistralidade para 71% em 12 meses. O reajuste negociado caiu para 14% — uma economia de R$ 1,2 milhão no ciclo contratual. O ponto de virada foi a combinação de dados granulares com ações direcionadas aos grupos de maior custo.

O aprendizado principal: resultados expressivos não exigem corte de benefícios. Exigem visibilidade sobre onde o custo se concentra e disciplina para agir nos pontos certos.

O que aconteceu

Uma multinacional do setor de energia com 3.500 vidas tinha sinistralidade de 88%: core de 58%, outliers de 30%. O core estava controlado, mas 42 beneficiários classificados como crônicos de alto risco (diabéticos, hipertensos graves, pacientes oncológicos) geravam R$ 4,2 milhões em sinistro por ano.

O que foi feito

  • Estratificação de risco: algoritmo de inteligência preditiva que cruza dados de sinistro, perfil clínico e triagem para classificar a população por probabilidade de gerar custo alto nos próximos 6 meses (feature). Isso permite que a equipe clínica concentre esforço nos casos de maior impacto financeiro (benefit). O resultado: economia de R$ 13 milhões em 12 meses em uma carteira que antes gerava prejuízo para a operadora (outcome), segundo dados internos da Axenya.
  • Navegação de cuidado: enfermeiras da equipe clínica acompanhando os 42 pacientes de alto risco com contato quinzenal, garantindo adesão ao tratamento, agendamento de exames e acompanhamento pós-alta
  • Segunda opinião médica: revisão dos protocolos de tratamento de alta complexidade para verificar adequação e oportunidade de desescalonamento

O resultado

Em 12 meses, os outliers caíram de 30% para 19%. Sete dos 42 pacientes foram estabilizados e reclassificados como crônicos de risco moderado.

A sinistralidade total caiu de 88% para 77%. A empresa reportou queda de 26% nas idas ao pronto-socorro, redução de 50% no custo por procedimento entre a população acompanhada e reajuste final de 9,4% (contra ~20% de média de mercado).

Como a inteligência preditiva identifica outliers antes do custo

O maior desperdício em saúde corporativa não é pagar caro por um tratamento necessário. É deixar um crônico descompensar por falta de acompanhamento e depois pagar 10 vezes mais pela emergência.

O padrão dos outliers evitáveis

A maioria dos outliers não surge do nada. Um paciente que interna por complicação diabética tipicamente apresenta sinais 6 a 12 meses antes: hemoglobina glicada subindo, consultas no PS por mal-estar, medicação irregular. O problema é que esses sinais estão espalhados em bases diferentes (operadora, farmácia, RH) e ninguém os junta.

A inteligência preditiva faz exatamente essa integração. Ela cruza dados de sinistro, perfil clínico e triagem (como o FaceScan) para gerar um score de risco por beneficiário. Quem está no topo da lista recebe atenção clínica antes de virar estatística.

Da detecção à ação

Detectar risco sem agir é dashboard decorativo. O ciclo completo funciona assim:

  1. Coleta: dados de sinistro da operadora, triagem via FaceScan, afastamentos do RH
  2. Estratificação: algoritmo classifica a população em faixas de risco (baixo, moderado, alto, crítico)
  3. Priorização: equipe de navegação clínica recebe a lista dos casos prioritários, ordenados por probabilidade de custo
  4. Intervenção: contato ativo, orientação, agendamento, acompanhamento de adesão
  5. Medição: comparação trimestral de custo real vs projetado para o grupo de alto risco

Esse ciclo transforma o outlier evitável em crônico bem acompanhado, e o crônico bem acompanhado em custo previsível.

Quando priorizar core e quando priorizar outliers

Não existe resposta universal. A prioridade depende da composição da sinistralidade da carteira.

Priorize core quando:

  • Core acima de 65% da sinistralidade total
  • Frequência alta de PS (acima de 12% da população por mês)
  • Muitas consultas eletivas sem resolução (pacientes que voltam 3 ou 4 vezes pelo mesmo motivo)
  • Exames repetidos sem justificativa clínica
  • Vidas indevidas na carteira (demitidos, dependentes que perderam elegibilidade)

Priorize outliers quando:

  • Outliers acima de 20% da sinistralidade total
  • Concentração de custo em menos de 3% das vidas
  • Presença de crônicos graves sem acompanhamento ativo
  • Internações recorrentes dos mesmos beneficiários
  • Tratamentos de alta complexidade sem segunda opinião médica

Na maioria dos casos: os dois ao mesmo tempo

A decomposição não é para escolher um lado. É para calibrar o esforço. Em uma carteira com core alto e outliers moderados, 70% do esforço vai para prevenção e governança, 30% para gestão de crônicos. Se os outliers são o problema principal, a proporção se inverte.

O ponto é: sem a decomposição, a empresa distribui esforço de forma aleatória. Com ela, cada real investido em gestão de saúde vai para onde gera mais retorno.

Ações por tipo de sinistro: o que fazer com cada componente

A decomposição core vs outliers só tem valor se gerar ações diferentes para cada componente. A tabela abaixo resume as alavancas mais eficazes por tipo de sinistro:

Tipo de sinistroAlavanca principalPrazo de resultadoRedução típica
PS de baixa complexidadeTeleconsulta como primeira linha + orientação clínica1–3 meses25–40% das idas evitáveis
Exames sem indicação clínicaAuditoria de fatura + protocolo de segunda opinião2–4 meses15–25% do volume
Medicamentos contínuosGestão de crônicos + adesão ao tratamento3–6 meses10–20% do custo
Internações por crônico descompensadoNavegação clínica ativa + monitoramento quinzenal6–12 meses40–60% dos eventos evitáveis
Alta complexidade (oncologia, cirurgias)Segunda opinião médica + negociação de protocoloCaso a caso10–30% do custo por evento
Vidas indevidas na baseBate-cadastral mensal + auditoria de elegibilidadeImediato100% do custo indevido

Três erros comuns ao lidar com sinistralidade alta

Esses três erros aparecem com frequência em empresas que estão sob pressão de reajuste e buscam soluções rápidas. O problema é que soluções rápidas para sinistralidade alta costumam gerar problemas maiores no médio prazo — seja em custo, seja em clima organizacional. Entender o mecanismo por trás de cada erro é o primeiro passo para não repeti-los.

1. Cortar benefícios como primeira reação

Reduzir cobertura, aumentar coparticipação ou trocar para um plano inferior resolve o sintoma (custo no curto prazo) e agrava a causa (insatisfação, rotatividade, presenteísmo). Os melhores talentos são os primeiros a sair. A redução de sinistralidade sem cortar benefícios é viável quando o problema é de gestão, não de cobertura.

2. Focar apenas em "eventos grandes"

Empresas que olham só os outliers ignoram que o core é a base inflacionária do reajuste. Uma sinistralidade core de 70% significa que, mesmo sem nenhum outlier, o reajuste já vai ser salgado.

3. Negociar reajuste sem dados decompostos

Chegar à mesa de renovação com "queremos menos de 15%" não é argumento. Chegar com "nosso core caiu de 68% para 57% em 10 meses e implementamos navegação clínica para os 30 maiores custos" é outro patamar. A operadora sabe a diferença.

Os três erros têm um denominador comum: reação sem diagnóstico. Sinistralidade alta é um sintoma — pode ter origem no core, nos outliers, em erros de cadastro, em uso inadequado de pronto-socorro ou em doenças crônicas sem gestão. Sem saber a causa, qualquer ação é chute. Com a decomposição correta, a empresa sabe exatamente onde agir e consegue medir o resultado da intervenção antes da próxima renovação.

Fontes e referências

Sua empresa sabe quem são os 5% que geram 50% do custo?

A Axenya integra dados de sinistro, triagem e perfil clínico para identificar beneficiários de alto risco antes que o custo se materialize.

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Perguntas Frequentes

A regra 5/50 indica que, em carteiras típicas, cerca de 5% dos beneficiários concentram aproximadamente 50% dos custos totais do plano. Esses são os outliers — casos de alto custo como internações prolongadas, doenças crônicas descompensadas ou procedimentos de alta complexidade. Identificar e gerir esse grupo é a alavanca mais eficiente para controlar a sinistralidade.