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Estratégia de RH • Saúde Mental e Bem-Estar

Terapias no plano de saúde: o custo que cresce 18% ao ano e ninguém está olhando

Samuel Alencar
28/03/2026
9 min de leitura
Central de Conhecimento
Sessão de terapia em consultório profissional com ambiente acolhedor
Unsplash LicenseFonte

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Saúde Mental & NR-1: Guia Completo para Empresas

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TerapiasSaúde MentalSinistralidadeCustos de SaúdeNR-1

Resumo executivo

  • Terapias, que incluem psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e nutrição, representam cerca de 9% do custo total de um plano de saúde empresarial. É o menor componente entre os principais grupos de utilização.
  • Mas os dados do IESS mostram que a frequência de terapias cresceu 16% ao ano e o custo médio por sessão cresceu 18% ao ano nos últimos anos. A essa taxa, o custo de terapias dobra a cada quatro anos.
  • O crescimento é impulsionado por três fatores: demanda de saúde mental pós-pandemia, expansão do rol da ANS e ausência de protocolos clínicos que definam critérios de entrada, metas de tratamento e critérios de alta.
  • O problema não é a terapia em si: é a falta de gestão baseada em evidência. Sem critérios claros, o uso se torna indefinido e o custo cresce sem que haja melhora clínica mensurável correspondente.
  • Empresas que implementam triagem precoce, protocolos baseados em evidência e navegação de cuidado conseguem manter o crescimento do custo de terapias em 5% a 8% ao ano, em vez de 18%, sem reduzir o acesso ao benefício.

O componente silencioso da sinistralidade

Quando um gestor de RH ou um CFO analisa a sinistralidade do plano de saúde, o foco natural vai para os componentes de maior peso: internação (48% do custo), consultas e exames ambulatoriais. Terapias, com seus 9% do custo total, raramente aparecem como prioridade de análise. Para o panorama completo, veja guia de absenteísmo e presenteísmo.

Esse é exatamente o problema. Componentes pequenos que crescem rápido são mais perigosos do que componentes grandes que crescem devagar. Uma internação que custa R$ 200.000 aparece imediatamente no radar. Um custo de terapias que cresce 18% ao ano passa despercebido por dois ou três anos, até que o impacto acumulado se torna impossível de ignorar.

Os dados do IESS são inequívocos: a frequência de terapias cresceu 16% ao ano e o custo médio por sessão cresceu 18% ao ano nos últimos anos, impulsionados principalmente pela demanda de saúde mental pós-pandemia.

Para uma carteira com custo de terapias de R$ 45.000 por mês hoje, esse crescimento significa R$ 90.000 por mês em quatro anos, sem nenhuma mudança no perfil da carteira.

Os tipos de terapia cobertos pelo plano incluem psicologia, psiquiatria (quando ambulatorial), fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e nutrição. Cada um tem seu próprio perfil de frequência, custo médio e tendência de crescimento. A psicologia e a fisioterapia são os dois maiores componentes em volume de sessões.

Por que terapias estão explodindo

A resposta está nos dados. Quando analisamos o comportamento dos indicadores ao longo dos últimos anos, o padrão se torna evidente: empresas que não investem em gestão ativa de saúde enfrentam reajustes consistentemente acima da média do mercado.

Segundo dados do setor, a diferença entre empresas com gestão estruturada e aquelas sem gestão pode chegar a 15 pontos percentuais no reajuste anual. Em uma empresa com 1.000 vidas e ticket médio de R$ 600, isso representa mais de R$ 1 milhão por ano.

O custo de não agir é cumulativo. Cada ano sem gestão ativa aumenta a base de custo sobre a qual o próximo reajuste será calculado, criando um efeito bola de neve que se torna cada vez mais difícil de reverter.

Saúde mental pós-pandemia

A pandemia de Covid-19 gerou um aumento documentado na prevalência de transtornos mentais na população brasileira. Ansiedade, depressão, síndrome de burnout e transtorno de estresse pós-traumático tiveram crescimento expressivo entre 2020 e 2023, segundo dados da OMS e do Ministério da Saúde. Esse aumento se traduziu diretamente em maior demanda por psicologia e psiquiatria nos planos de saúde.

O CID F, que agrupa os transtornos mentais e comportamentais, é hoje o segundo maior grupo de custo nas carteiras corporativas brasileiras, atrás apenas do CID M (doenças musculoesqueléticas).

Em algumas carteiras com perfil de trabalho intelectual intenso, o CID F já é o primeiro. Para entender como a saúde mental impacta a sinistralidade e o absenteísmo, veja o artigo Saúde mental no trabalho: custos e o que realmente funciona.

Rol da ANS expandido

O rol de procedimentos obrigatórios da ANS foi expandido nos últimos anos, incluindo novos procedimentos de saúde mental e reabilitação.

Isso significa que as operadoras são obrigadas a cobrir mais sessões e mais tipos de terapia do que cobriam anteriormente. A expansão do rol é uma política pública legítima de ampliação do acesso, mas tem impacto direto no custo das carteiras.

Sessões sem protocolo claro

O problema mais relevante do ponto de vista da gestão não é a demanda em si, mas a ausência de protocolos que definam quando iniciar, como acompanhar e quando encerrar um tratamento terapêutico.

Sem critérios de alta, uma sessão de psicologia que deveria durar 6 meses pode se estender por 3 anos. Sem metas de tratamento mensuráveis, não há como saber se o tratamento está funcionando ou se o paciente está em manutenção indefinida.

Essa ausência de protocolo não é culpa do paciente nem do terapeuta: é uma lacuna de gestão. O plano de saúde paga as sessões, mas não tem visibilidade sobre o resultado clínico. A operadora não tem incentivo para questionar a indicação. E o beneficiário, que está se sentindo melhor, não tem razão para encerrar o tratamento.

O problema não é a terapia, é a falta de protocolo

É importante ser preciso sobre o que está sendo discutido aqui. Terapia é essencial. Psicologia, fisioterapia e as demais modalidades terapêuticas têm evidência científica robusta de eficácia para as condições que tratam. Reduzir o acesso a terapias seria um erro clínico e um retrocesso para os colaboradores.

O que está sendo discutido é a diferença entre gestão de frequência e gestão baseada em evidência.

Gestão de frequência significa limitar o número de sessões de forma arbitrária, independente da condição clínica do paciente. É uma abordagem que reduz custo no curto prazo mas gera piora clínica, maior absenteísmo e, eventualmente, internações psiquiátricas que custam muito mais do que as sessões economizadas.

Gestão baseada em evidência significa medir resultado. Isso inclui critérios de entrada (quem precisa de terapia e qual modalidade), metas de tratamento mensuráveis (o que se espera alcançar em 8, 16 e 24 sessões), revisão periódica de indicação (o tratamento está funcionando?) e critérios de alta (quando o objetivo foi atingido).

Uma métrica que está ganhando espaço nas carteiras mais avançadas é o KBS, que avalia Knowledge (o paciente entende sua condição?), Behavior (o paciente mudou comportamentos relevantes?) e Status (os sintomas melhoraram?). Para entender como o KBS funciona na prática, veja o artigo KBS: a métrica que vai além da sinistralidade.

O que empresas proativas estão fazendo

Empresas que conseguiram controlar o crescimento do custo de terapias sem reduzir o acesso ao benefício têm em comum quatro práticas estruturadas.

A primeira é a triagem precoce de saúde mental. Em vez de esperar que o colaborador chegue ao plano em crise, a empresa identifica quem está em risco antes que o problema se agrave.

Ferramentas como o FaceScan, que analisa biomarcadores de estresse e fadiga, e questionários validados como o PHQ-9 e o GAD-7 permitem estratificar a população por risco e direcionar recursos para quem mais precisa. Para entender como o FaceScan funciona, veja a solução de triagem da Axenya.

A segunda é a implementação de protocolos baseados em evidência. Isso significa definir, em parceria com a operadora ou com uma gestora de saúde, critérios claros para cada modalidade terapêutica: quais condições têm indicação, qual é o número esperado de sessões para cada condição, quais são as metas de tratamento e quando a revisão de indicação deve acontecer.

A terceira é a integração de dados. Cruzar o custo de terapias com dados de absenteísmo, produtividade e afastamentos permite entender se o investimento em saúde mental está gerando retorno mensurável. Empresas que fazem essa integração conseguem demonstrar o ROI do programa de saúde mental e justificar o investimento para o CFO com dados concretos.

A quarta é a navegação de cuidado. Nem todo caso que chega ao plano pedindo psicologia precisa de psicologia.

Alguns casos precisam de psiquiatria. Outros precisam de coaching ou de intervenção no ambiente de trabalho. A navegação de cuidado garante que o paciente seja direcionado para o profissional e a modalidade mais adequados para sua condição, evitando tanto o subtratamento quanto o supertratamento.

Se a sua empresa ainda não tem visibilidade sobre a evolução do custo de terapias nos últimos 24 meses, fale com um especialista da Axenya para entender o impacto real na sua sinistralidade.

Cenário ilustrativo: o custo de ignorar

Para tornar os números concretos, considere o seguinte cenário ilustrativo baseado em parâmetros de mercado:

Uma empresa de 500 vidas com sinistralidade de 75% e prêmio mensal de R$ 667 por vida tem um custo assistencial anual de R$ 6 milhões. Com terapias respondendo por 9% desse total, o custo anual de terapias é de R$ 540.000, ou R$ 45.000 por mês.

Sem nenhuma intervenção de gestão, com crescimento de 18% ao ano no custo de terapias: em dois anos, o custo mensal sobe para R$ 62.700. Em quatro anos, para R$ 88.600. Em seis anos, para R$ 124.500. O custo acumulado em seis anos, comparado com o custo inicial, é de R$ 2,1 milhões adicionais.

Com gestão baseada em evidência, mantendo o crescimento em 6% ao ano: em dois anos, o custo mensal sobe para R$ 50.500. Em quatro anos, para R$ 56.800. Em seis anos, para R$ 63.900. A diferença acumulada em seis anos entre os dois cenários é de aproximadamente R$ 1,4 milhão, sem nenhuma redução no acesso ao benefício.

Para uma análise completa de como as terapias se encaixam na decomposição da sinistralidade, veja também o artigo Por que sua sinistralidade de 78% pode esconder 5 problemas diferentes.

Fontes e referências

  • IESS: Instituto de Estudos de Saúde Suplementar - dados de utilização e custo por componente assistencial, incluindo terapias, 2023.
  • ANS: Agência Nacional de Saúde Suplementar - Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, 2023.
  • OMS: saúde mental no trabalho - 12 bilhões de dias perdidos por ano por depressão e ansiedade.
  • Ministério da Saúde. Saúde Mental no Brasil: dados epidemiológicos e tendências pós-pandemia, 2023. Disponível em saúde.gov.br.

Entenda o impacto real das terapias na sua sinistralidade

A Axenya mapeia a evolução do custo de terapias na sua carteira, identifica os drivers de crescimento e propõe protocolos baseados em evidência para controlar o custo sem reduzir o acesso. Diagnóstico sem compromisso.

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Perguntas Frequentes

Três fatores combinados explicam o crescimento: aumento da demanda por saúde mental pós-pandemia (o CID F é hoje o segundo maior grupo de custo nas carteiras corporativas), expansão do rol obrigatório da ANS e ausência de protocolos clínicos que definam critérios de entrada, metas de tratamento e critérios de alta. Segundo o IESS, a frequência de terapias cresceu 16% ao ano e o custo médio por sessão cresceu 18% ao ano.
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