Inteligência artificial na saúde: por que flexibilidade e adaptação às novas tecnologias são necessárias?

Conceito da tecnologia da ciência. Laboratório

29 de agosto, 2022

Conceito da tecnologia da ciência. Laboratório

Profissionais de saúde não precisam temer o avanço da inteligência artificial, mas precisam conhecer o que será necessário para se adaptar

A inteligência artificial na saúde vem ganhando espaço e recebendo um número cada vez maior de aplicações. Assim, aos poucos a ideia de que isso era apenas um conceito de ficção científica vai ficando para trás. Na prática, tal mudança promete revolucionar sistemas de saúde, aprimorar condutas que hoje dependem exclusivamente da ação humana e viabilizar tratamentos mais eficientes para diferentes problemas.

Como toda revolução tecnológica, a implementação desses recursos pode gerar rupturas e atritos. E os médicos ocupam posição central em todo o debate sobre o limite e possibilidades dessas novas ferramentas, inclusive diante da possibilidade de terem seu protagonismo ameaçado. Entretanto, como tudo o que cerca qualquer novidade, a realidade talvez esteja em um meio termo desses dois polos, com médicos e inteligências artificiais tendo um grande potencial para trabalharem em conjunto em prol dos pacientes.

Os avanços da inteligência artificial na saúde

O conceito de inteligência artificial engloba ramos da ciência da computação e da informática que desenvolvem algoritmos capazes de reconhecer problemas, resolver determinadas tarefas, tomar decisões e, de certa forma, aprender com a experiência, de maneira similar à inteligência humana. Entretanto, cabe reforçar que a IA não é uma tecnologia específica, mas um grupo bem amplo de recursos e ferramentas, para os mais diversos fins.

Como um exemplo simples disso, vale citar o algoritmo de um serviço de streaming, que vai “aprendendo” de acordo com os gostos e preferências do usuário para recomendar conteúdos cada vez mais atrativos. Mas é claro que os usos da inteligência artificial não se limitam a isso e hoje elas já estão presentes em serviços financeiros, meios de transporte, sistemas de gestão, entre outros.

Na saúde, sistemas com IA podem ser empregados para analisar vastas quantidades de dados (e prever a disseminação de uma doença, por exemplo), para auxiliar na revisão e confirmação de diagnósticos ou mesmo na recomendação de tratamentos.

Uma inteligência artificial bem calibrada pode, em tese, avaliar exames de imagem em busca de alterações que indiquem a presença de um câncer. Ou ainda armazenar e rastrear dados que possam apontar para complicações comuns às doenças crônicas, como o diabetes, e notificar os cuidadores sobre esses riscos.

Os recursos desenvolvidos a partir desses avanços também podem contribuir para superar outros desafios do cuidado em saúde, como a adesão ao tratamento. Tal obstáculo costuma ser ainda maior na jornada de pacientes crônicos, cujo manejo depende da mudança de hábitos e adaptações no dia a dia.

Com isso, aplicações de IA podem ser desenvolvidas para incentivar comportamentos desejados, seja por meio de mensagens, conteúdos direcionados e outros estímulos que fortalecem ações que privilegiem o autocuidado e facilitem o acompanhamento de pacientes com condições variadas.

As adaptações necessárias

Entre as preocupações suscitadas pelo avanço da inteligência artificial na saúde estão desde o posto que os médicos e demais profissionais de saúde vão ocupar nessa nova dinâmica até questões éticas, que ainda precisam ser mais discutidas por toda a sociedade. Assim como em outras áreas, a adoção de recursos de inteligência artificial na saúde gera o temor de eliminação de postos de trabalho. Um dado do National Bureau of Economic Research mostrava que, em 2017, até metade de todos os postos de trabalho da economia como um todo poderiam ser automatizados por mecanismos de inteligência artificial no futuro. Isso não quer dizer que eles seriam simplesmente eliminados do dia para a noite. Tal transposição, inclusive no segmento de saúde, pode enfrentar obstáculos que incluem os custos dessas novas tecnologias, os benefícios efetivos da sua adoção e até mesmo a aceitação social do emprego dessas soluções conduzidas por máquinas e algoritmos.

Em relação a esse último aspecto é que podem surgir muitas das implicações éticas da presença de sistemas de inteligência artificial na saúde. Até então, toda decisão envolvendo o bem-estar (e, em última medida, a vida) dos pacientes era feita por outros humanos. Como isso seria feito se tais escolhas tivessem que ser feitas por máquinas? Em tal realidade, é provável que seja necessário implementar regulamentações para fortalecer a transparência, os cuidados com a privacidade e o sigilo de cada indivíduo e prever formas de responsabilização por eventuais erros.

Leia também: O que é, quais são as principais categorias e quais os benefícios da saúde digital?

A união entre especialistas e novas tecnologias

Profissional da saúde  com auxílio da inteligência artificial

Levando tudo em conta, talvez seja útil pensar em outros termos. Em vez da mera troca de humanos por máquinas, vale considerar como especialistas e novas tecnologias podem trabalhar em conjunto para aprimorar as condutas já existentes ou mesmo desenvolver novas condutas. No mais, sempre cabe considerar que muitos desses recursos ainda estão longe de serem utilizados em larga escala no dia a dia da prática clínica.

Desse modo, uma inteligência artificial pode ser treinada para avaliar exames de imagem e reconhecer determinadas alterações (como um nódulo ou tumor, por exemplo). Nem sempre a acurácia desses mecanismos é alta o suficiente para dispensar a análise mais refinada de um médico, que além disso é capaz de indicar outras intervenções para esclarecer o diagnóstico e apontar o tratamento mais adequado. Isso significa que, no fim das contas, a inteligência artificial servirá como mais um suporte para o trabalho do profissional de saúde, aumentando a eficiência de todos os processos e abrindo espaço para outras tarefas no qual a atuação humana é indispensável, como o cuidado direto com o paciente. Além disso, graças ao seu potencial incomparável de lidar com grandes volumes de dados, essas ferramentas podem ser valiosas para indicar tendências e estimar a prevalência de determinados comportamentos de risco, essencial no controle de doenças crônicas, por exemplo.

Por tudo isso, médicos (e muito menos pacientes) devem temer o avanço da inteligência artificial na medicina. É claro que os impactos são grandes e vão exigir uma série de ajustes, inclusive na formação e nos conhecimentos dos profissionais do setor, mas as perspectivas da união entre o saber dos especialistas e a capacidade das máquinas são razoavelmente positivas.

Aproveite e veja como a digitalização da saúde interfere na jornada de cuidados do paciente.


>>>REFERÊNCIAS:

Davenport T, Kalakota R. The potential for artificial intelligence in healthcare. Future Healthc J. 2019 Jun;6(2):94-98. Disponível em: FHJv6n2-Davenport.indd (nih.gov)

Lobo, Luiz Carlos. “Inteligência artificial, o Futuro da Medicina e a Educação Médica.” Revista Brasileira de Educação Médica 42 (2018): 3-8. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/PyRJrW4vzDhZKzZW47wddQy/?lang=pt&format=pdf

Artificial intelligence in healthcare Applications, risks, and ethical and societal impact. European Parliament. Disponível em: EPRS_STU(2022)729512_EN.pdf (europa.eu)

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