O custo do diabetes no Brasil: quais os impactos e o que pode ser feito?

Homem medindo índice glicêmico

25 de julho, 2022

Homem medindo índice glicêmico

O diabetes e suas complicações geram custos diretos e indiretos para os indivíduos e para a sociedade como um todo

Além de ser uma doença crônica não transmissível que exige cuidado e acompanhamento em diferentes dimensões da vida do paciente, o diabetes também acrescenta uma série de despesas aos sistemas de saúde. Logo, vários levantamentos procuram estimar os custos do diabetes.

Atualmente, mais de meio bilhão de pessoas vivem com diabetes ao redor de todo o globo. Isso representa pouco mais de 10% da população mundial. No Brasil, são 15,7 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos vivendo nessa condição. Ambos os números estão presentes na décima edição do Atlas do Diabetes, publicado em 2021, pela Federação Internacional de Diabetes.

Diabetes: causas e sintomas

O diabetes mellitus, conhecido amplamente apenas como diabetes, é um quadro caracterizado pelo elevado nível glicêmico no sangue. Isso acontece quando o corpo não consegue produzir a quantidade suficiente de insulina ou não é capaz de utilizar o hormônio produzido no pâncreas para metabolizar o açúcar ingerido. Tal diferença identifica cada um dos tipos de diabetes.

Tipo 1

Provocado principalmente pela destruição das células do pâncreas, que são responsáveis pela produção da insulina. Quando isso acontece, o corpo torna-se incapaz de produzir o hormônio. Atinge a menor parcela dos diabéticos e tem componente autoimune.

Tipo 2

Já o diabetes tipo 2 ocorre por uma dificuldade de ação da insulina devido à resistência insulínica ou por deficiência na sua secreção. É o quadro que atinge a maioria das pessoas com diabetes.

Além disso, temos o diabetes gestacional, que surge durante a gravidez e pode permanecer ou não após o parto e o diabetes provocado por outras causas, muitas vezes associados a fatores genéticos não esclarecidos ou secundário ao consumo de certos medicamentos.

Em todo caso, os principais sintomas do diabetes são:

  • Vontade excessiva de urinar;
  • Aumento da fome e da sede;
  • Perda de peso;
  • Fadiga;
  • Formigamentos nas extremidades;
  • Vista embaçada (mais comum no tipo 2);
  • Dificuldade para cicatrização de ferimentos (mais comum no tipo 2).

O diagnóstico do diabetes se dá por meio de testes de glicose em jejum, com 2 horas de glicose no plasma após ingestão de 75g de glicose por via oral ou ainda por meio da medição de hemoglobina glicada.

Os tratamentos disponíveis envolvem o uso de medicamentos orais ou de insulina injetável. Todavia, a associação a uma dieta equilibrada e a prática de exercícios físicos é fundamental para evitar complicações.

Os custos do diabetes no Brasil

Custos da diabete

Novamente de acordo com o Atlas do Diabetes publicado pela Federação Internacional de Diabetes, em 2021 o Brasil foi o terceiro país que mais gastou devido a essa doença. Ao todo, ao longo do ano foram gastos cerca de US$ 42,9 milhões. Com isso, o país está apenas atrás dos Estados Unidos (com gastos de US$ 397,5 milhões) e China (com US$ 165,3 milhões) no ranking de despesas desse levantamento.

Esses gastos incluem as despesas com serviços médicos, atendimentos de emergência e cuidados nutricionais. No mais, tais cálculos não diferenciam se os custos decorrentes do diabetes são arcados pelos próprios pacientes ou se entram nas contas dos sistemas públicos de saúde.

Contudo, outro indicador revela que ainda permanece uma grande disparidade entre os países quando se avalia as despesas per capita com cada paciente com diabetes. Nesse ranking, o único país fora da Europa entre os 10 primeiros são os Estados Unidos, ocupando o segundo posto. Lá são gastos, em média, U$$ 11,779 por paciente anualmente. Na Europa, o líder nesse quesito é a Suíça, com despesa per capita de U$$ 12,828.

Custos indiretos e as perspectivas para os próximos anos

Outros estudos procuraram estimar também alguns dos custos indiretos relacionados aos quadros de diabetes e suas complicações que, infelizmente, são muito comuns. Por meio de trabalho publicado no Annals of Global Health, em março de 2022, pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade Estadual de Campinas traçaram um panorama relacionado a despesas decorrentes de mortes prematuras, faltas ao trabalho e aposentadorias antecipadas vinculadas ao diabetes.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores acessaram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativos ao ano de 2016, coletados na Pesquisa Nacional de Saúde.

Na fórmula utilizada, o gasto com diabetes alcançou US$ 2,1 bilhões no ano analisado. Desse montante, mais de 70% eram relativos justamente aos custos indiretos. Ou seja, eles não tinham necessariamente relação com o tratamento da condição e envolviam mortes precoces, absenteísmo no trabalho e aposentadorias por invalidez. Na média de 2016, cada paciente diagnosticado com diabetes representava uma despesa adicional de US$ 223.

No ritmo atual de prevalência da doença projetado pelos pesquisadores (com casos de diabetes aumentando em 13% até 2030) os custos gerados por tal condição podem aumentar no ritmo de 6,3% ao ano. Nas contas do estudo, isso significaria um volume de gastos que atingiria US$ 5,47 bilhões no final da década.

Já de acordo com o Atlas do Diabetes, em âmbito global, as despesas com a doença podem alcançar US$ 1 trilhão até o ano de 2030.

Leia mais: Descubra quais os efeitos das terapias digitais em pacientes com diabetes.

As alternativas e soluções

Com tudo isso, mesmo com as projeções apresentadas em diferentes estudos, elas podem se mostrar conservadoras ao excluir variáveis, como o impacto na produtividade e o impacto sobre as famílias de quem precisa lidar com as complicações do diabetes.

Assim, avaliar esses números só reforça a urgência e a necessidade de implementar novas soluções para prevenir, manejar e tratar o diabetes. Portanto, os custos dessa doença são pagos pelos indivíduos e pela sociedade como um todo, seja em sistemas públicos ou privados de saúde.

Nesse sentido, novos produtos podem desempenhar papel importante para melhorar a jornada desses pacientes, aumentar a adesão aos tratamentos já disponíveis, incentivar mudanças de hábitos e fortalecer a relação entre pessoas vivendo com diabetes e os seus cuidadores, sejam eles médicos ou outros profissionais de saúde.

Assim, as terapias digitais (DTx) despontam como produtos que podem fazer a diferença por meio de softwares desenvolvidos com as melhores evidências científicas e capazes de fornecer o auxílio necessário no tratamento do diabetes. Desse modo, com o investimento adequado, é possível reduzir o volume de complicações e reduzir ainda o peso do custo do diabetes.

Aproveite e veja como as terapias digitais estão revolucionando o sistema de saúde.


>>>REFERÊNCIAS:

Diabetes Atlas 10th edition International Diabetes Federation. Disponível em: IDF_Atlas_10th_Edition_2021.pdf (diabetesatlas.org)

Pereda P., Boarati V., Guidetti B., Duran AC. Direct and Indirect Costs of Diabetes in Brazil in 2016. Ann Glob Health. 2022 Mar 3;88(1). Disponível em: Direct and Indirect Costs of Diabetes in Brazil in 2016 – PubMed (nih.gov)

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